MARINGÁ SURREAL: Comércios fechados, filas em bancos e supermercados. Maioria respeita decreto de isolamento social. Veja as imagens

23/03/2020


São 10h da manhã quando criamos coragem e decidimos deixar a sede de O FATO MARINGÁ para observar o movimento pelo menos na região norte, mais especificamente na região do Mandacaru. 

O comércio na avenida que doa nome à região está completamente vazia. Algumas pessoas circulam a pé, alguns portam máscaras. Comércios que poderiam funcionar com entrega como pet shops que vendem remédios, parecem ter desistido.

Passamos pelo Shopping do bairro, prosseguimos até a avenida Colombo, contornamos e paramos em frente ao Banco do Brasil que não tem filas. Já na Caixa Econômica Federal algumas pessoas fazem fila para entrar na agência.

A auto-organização funciona. As pessoas mantém distâncias longas umas das outras, muitas estão distantes até 3 metros. 

 

SUPERMERCADO 

A fila para entrar no supermercado também é auto-organizada e funcional. 

Dois funcionários posicionados na porta fazem a triagem e procedimentos sanitários para controlar a entrada e saída de pessoas. 

O primeiro distribui senhas. Só entram três de cada vez.  Já o segundo funcionário do mercado tem a função de fazer com as pessoas limpem as mãos com o gel àlcool que ele distribui.  Ambos portam máscaras e luvas. O silêncio na fila é "ensurdecedor". 

 

DENTRO

Ligiane Ciola entra e aproveita para comprar aquelas coisas básicas que não podemos deixar de ter em casa, afinal jornalistas também precisam se alimentar e manter a casa limpa.

Nos caixas que agora funcionam em modo intercalado, não há praticamente filas. 

Lá dentro, o silêncio também é grande. Os consumidores mantém distância uns dos outros.

O medo faz com que as pessoas obedeçam as regras. 

 

FORA:

Do lado de fora, eu, José Carlos Leonel filma a fila sob olhares atentos de um vigilante que se aproxima mas não diz nada. 

Termino o flash tipo "no comment AO VIVO" e entrego um cartão ao vigilante; ele sorri e diz que "tá tudo bem", só estava querendo entender pois segundo ele, já houve pessoas que filmam para espalhar falsidades. 

 

Começo a observar as pessoas na fila. Algumas resmungam e dizem barbaridades ao vento, sem que ninguém lhes dê ouvidos.

Um homem diz, "que o prefeito está errado, onde já se viu ter que fazer fila para entrar no mercado",  como ninguém responde, ele insiste e vem advertido por uma mulher que está logo à sua frente. 

"Não temos que discutir sobre isso. Obedeça e não encha o saco", adverte a senhora. "Outra coisa, chegue mais para lá, mantenha a distância de dois metros, é isso que diz o decreto", conclui. O homem se afasta e ainda ouve outro consumidor dizer. "Tem que obedecer e sem reclamar, caso contrário denunciamos". 

A tensão se abaixa quando o homem finalmente compreende que a coisa é séria. Depois de pedir desculpas, todos sorriem. Provavelmente queria somente puxar papo. E a vida segue. 

Quando tudo isso acabar, teremos aprendido lições que já deveríamos conhecer há muito tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Periódico Registrado em 04/09/2018 no Cartório de Registro de Títulos e Documentos e no Registro Civil de Pessoas Jurídicas de Maringá.
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