IMPASSE: Governo envia a Maringá, o Coronel Pancotti, diretor do departamento Sócio Educativo do Estado para explicar o projeto de construção da Casa de Semiliberdade para menores infratores no Jardim Campos Elíseos.
Prefeitura propõe ao Estado a doação de um novo terreno para a construção do abrigo e a mudança de finalidade da atual construção. "O projeto é muito bom e necessário mas não queremos que seja no nosso bairro", disseram os moradores em modo uníssono.

08/10/2019


foto: Mateus Girotto

 

Por: José Carlos Leonel 

"A Casa de Semiliberdade que o Governo do Estado está construindo no Jardim Campos Elíseos em Maringá tem caráter funcional e tem como objetivo abrigar jovens que cometeram infrações consideradas menores e que não representam risco para a comunidade. Na verdade, a experiência que temos com as outras sete unidades presentes em outras cidades do Paraná, mostram que as comunidades passaram a ser mais seguras após suas implantações". A declaração é de Davide Antônio Pancotti, Coronel Reformado da Polícia militar do Paraná, que atualmente ocupa a função de Diretor de Atendimento do Departamento Sócio Educativo no Governo Ratinho. 

 

VEJA AS ENTREVISTAS COM O Coronel Pancotti e com o Vice-Prefeito Edson Scabora

 

O representante do Governo esteve hoje, (8), em Maringá para participar de uma reunião que aconteceu na Associação Comercial e Industrial de Maringá - ACIM, onde está também a sede do Conselho de Segurança de Maringá - CONSEG - hoje, representado por seu presidente, o também Coronel Reformado da Polícia Militar, Antônio Tadeu Rodrigues.  

 

A reunião contou com a presença do vice-prefeito de Maringá, Edson Scabora e do Chefe de Gabinete, Domingos Trevisan, representando o prefeito Ulisses Maia, que hoje estava justamente na capital, onde encontrou o Governador Ratinho Junior e outros Secretários de Estado. 

A Câmara Municipal de Maringá também enviou três dos cinco componentes da Comissão Especial de Estudos que acompanha o caso e que apoia o pedido da comunidade, que não aceita a instalação da Casa de Semiliberdade no bairro.

A comissão é formada pelos vereadores Mário Verri, William Gentil, Chico Caiana, Alex Chaves e Flávio Mantovani. O vereador Jean Marques também participou. Vários representantes dos 17 bairros confinantes com o Campos Elíseos também tiveram a oportunidade de explicarem as razões que os levam a não aceitarem a presença da estrutura no local designado. 

 

Os moradores do Jardim Campos Elíseos ouviram a esplanação do projeto e ao final disseram "que sabem que o projeto é muito bom e necessário" mas que não querem que a Casa de Semiliberdade seja construída no bairro onde moram. 

 

Uma das moradoras do bairro disse que "a comunidade foi pega de surpresa e que nunca foram consultados sobre a construção da estrutura.  "Hoje, o jovem do nosso bairro tem que cometer um delito para receber a estrutura que o Estado oferece aos menores infratores", disse outro morador.

 

A resposta do Coronel às reivindicações dos moradores do Campos Elíseos, veio em modo indireto. "Quem reclama da presença de uma estrutura como essa no bairro, muitas vezes usa frases como:  Nem meu filho teve essa chance. Eu digo que devem compreender que isso não é verdade, pois os jovens que serão reeducados na estrutura maringaense, assim como já acontece em Londrina, que já conta com uma unidade de semiliberdade há 12 anos, são jovens que provem de famílias carentes e que cometeram pequenos delitos por falta de oportunidade, e que o Estado está investindo neles aquilo que não conseguiu oferecer no passado. Vossos filhos tiveram esse apoio, deixem que eles também tenham uma chance de retornar ao convívio social", completou o Coronel. 

 

O Presidente do Conseg, Coronel Antônio Rodrigues, protestou e disse que não aceita a imposição do Governo Estadual, e que a comunidade maringaense está acostumada a ser consultada sobre tudo o que se faz. "Se continuar assim, faremos protestos contra esse governo. Pensavamos que com esse governo seria diferente mas pelo jeito não. Se for o caso faremos até outdoors contra tais atitudes". Em seguida, Rodrigues pediu desculpas a Pancotti e disse que espera que o governo seja sensato e ouça a voz do povo maringaense que ajudou a elege-lo com grande votação. "Leve nosso desabafo ao Governador Ratinho", concluiu o presidente do Conseg. 

 

 

"A OBRA NÃO PODE PARAR", MAS ESTÁ PARADA.

Até o momento 15% da obra já foi construída e o investimento já passa de R$ 160 mil. A obra não pode mais parar, disse o representante do governo. 

Pressionado por um dos moradores que perguntou se o Estado cancelaria a construção da unidade, o Coronel Pancotti não recuou e disse que a função dele não era essa, que tinha vindo a Maringá para explicar o funcionamento da estrutrura sócio-educativa e que a mudança de planos só poderia acontecer no âmbito político, coisa que não é de sua alçada.

Pancotti, explicou ainda que o Estado foi intimado pelo Ministério Público de Maringá a executar o obra o mais rápido possível para atender as necessidades do município, e que caso o Governo não obedecesse, poderia incorrer em uma multa que passa de R$ 5 mil por dia. 

 

A ORGANIZAÇÃO DA UNIDADE DE SEMILIBERDADE

PARA MENORES E A EXPERIÊNCIA DE LONDRINA

Atualmente as sete Casas de Semiliberdade para Menores do Estado são capazes de abrigar 1129 jovens infratores.  Em Maringá serão abrigados apenas 18. Duas das unidades presentes no Estado, funcionam em Londrina. A primeira foi inaugurada em 2000 e a segunda em 2008. O Coronel Pancotti garante que o histórico delas é muito positivo e que depois de tantos anos, a comunidade do bairro londrinense também participa de várias atividades que acontecem na Casa, e que isso ajuda muito no reinserimento dos menores no contexto social. 

 

"Gostaria de lhes dizer que os jovens infratores são acompanhados em todas as suas atividades e que todos os dias temos que apresentar ao Judiciário relatórios de atividades e de eventuais ocorrências na estrutura", disse Pancotti. 

Além das duas unidades de Londrina, outras estão instaladas em Curitiba, Foz do Iguaçu, Paranavaí,  Umuarama e Cascavel. Quando estiver funcionando, a unidade maringaense do CENSE contará com 30 funcionários entre Psicologos, Teólogos, Agentes Sócio Educativos, Professores e instrutores de várias especialidades. 

Entre as várias atividades que os jovens terão acesso, muitas estão as ligadas à formação profissional. Entre os vários cursos profissionalizantes estão formações como a de Garçom, Chapeiro, Jardineiro, Panificação e Pintor.  O acesso ao mercado de trabalho também acontece através de acordos que o Estado tem com agências privadas e com o Sistema Nacional de Emprego - SINE. 

Todas as atividades desenvolvidas pelos jovens dentro e fora da estrutura se desenvolvem com acompanhamento de pessoas responsáveis e capacitadas para agir em caso de necessidade, "coisa que nunca aconteceu nas outras estruturas", diz o diretor do departamento Sócio Educativo do Estado. "Eles percebem que estão recebendo uma grande oportunidade para mudarem e que precisam ser conscientes, até mesmo para não regredirem. Quem regride pode terminar no sistema de internação e ninguém quer isso", enfatiza o Coronel Pancotti. 

 

Ao final da reunião, o vereador Mário Verri, sugeriu a realização de uma reunião com a comunidade no bairro. Já o vice-prefeito de Maringá Edson Scabora explicou que a doação do terreno por parte do município ao Governo Estadual com destinação exclusiva à construção da Casa de Semiliberdade para Menores, aconteceu em 2010, durante a gestão do então prefeito Silvio Barros e que a gestão atual nem tinha conhecimento desse acordo. 

Scabora se comprometeu, assim como já havia feito o prefeito Ulisses Maia em negociar com o Governo a mudança de destinação da estrutura do Campos Elíseos em troca da doação de um novo terreno em uma área mais adequada para a construção da Casa de Semiliberdade para Menores Infratores. 

 

Os moradores saíram da reunião insatisfeitos e disseram que já recolheram mais de 2000 assinaturas contra a realização da obra no bairro.

O Governo diz que a obra não pode parar mas paradoxalmente permanece parada. No dia 26 do mês passado, a Prefeitura embargou a construção por falta de alvará de construção. O embargo aconteceu logo após os primeiros protestos dos moradores. 

 


Periódico Registrado em 04/09/2018 no Cartório de Registro de Títulos e Documentos e no Registro Civil de Pessoas Jurídicas de Maringá.
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