COVID-19: Infectologista Fabio Guedes Crespo esclarece as principais dúvidas sobre o coronavírus
Entre as informações estão: como se proteger e o que fazer em caso de suspeita da doença, que se alastrou pelo mundo

25/03/2020


 

A Prefeitura de Londrina reuniu as principais dúvidas e informações relacionadas ao coronavírus (Covid-19), que causa infecções respiratórias e provocou uma pandemia. Quem presta o esclarecimento, por meio de uma entrevista ping pong, é o médico infectologista Fabio Guedes Crespo, do Ambulatório de Hiv/Aids e Tuberculose da Secretaria Municipal de Saúde. Entre as informações estão: como se proteger e o que fazer em casos de suspeita da doença. Confira, na íntegra:

 

O que é o coronavírus?

É um vírus que causa doenças que vão desde um simples resfriado até um problema respiratório mais grave. Os coronavírus recebem esse nome porque têm espiculas na superfície semelhantes a coroa e são conhecidos desde a década de 60. São vírus que estão presentes em animais como porcos, morcegos, macacos, cães, gatos e roedores. Normalmente não transmite aos humanos, mas, devido a alterações genéticas, podem infectar as pessoas. Eles foram responsáveis pelas epidemias da Mers no Oriente Médio (30% de mortalidade), da SARS (9% de mortalidade), e agora da Covid-19 (2% de mortalidade).

 

Como é a transmissão?

A transmissão ocorre por gotículas, que podem sair durante o espirro ou tosse, e infectar uma pessoa que está a até 1,80 metro de distância. Também por contato com as mãos, por isso a orientação de, ao tocar em objetos e superfícies, não colocar as mãos sujas no rosto, pois a pessoa pode ser infectada quando o vírus entrar em contato com os olhos, nariz e boca.

 

Quais são os sintomas do novo coronavírus?

Os sintomas que temos visto com maior frequência é um quatro de febre, dor de garganta e tosse seca, podendo evoluir, após alguns dias, para faltar de ar. A falta de ar é o sintoma que obriga a pessoa a procurar um hospital. Se ela tem apenas febre, tosse, dor de garganta, sem nenhum cansaço importante ou falta de ar, ela não precisa procurar um hospital, podendo permanecer em casa, em quarentena, afastada, por 14 dias.

 

Mesmo sem apresentar sintomas a pessoa pode estar com o vírus?

Sim. Logo no início da epidemia, na China, acreditava-se que a transmissão pela pessoa assintomática fosse rara. Hoje, vemos que a transmissão dos assintomáticos é frequente, por isso tomamos como medida o isolamento social, para prevenção da doença.

 

Quais os principais cuidados para prevenir o coronavírus?

Higienizar, sempre, com água e sabão ou com álcool em gel 70%, as mãos e punhos. Quando for tossir ou espirrar cobrir boca com um lenço descartável, ou com a mão ou com o antebraço. Também limpar, constantemente, os móveis e partes onde tocamos com frequência, como as maçanetas de portas e celular, para evitar a transmissão por contato, manter os ambientes vem ventilados, não compartilhar objetos pessoais, evitar aglomerações.

 

Como lavar as mãos corretamente?

As mãos devem ser lavadas por cerca de 20 segundos. Primeiro, umedecer as mãos com uma quantidade boa de sabão. Começa-se a lavagem pelas palmas das mãos, seguidas pelo dorso, entre os dedos, o polegar, e não esquecer dos punhos e as ponta dos dedos, lavando com movimentos circulares. O ideal é enxugar as mãos com papel.

 

Em quais casos o uso de máscaras é indicado?

As máscaras são indicadas para as pessoas que estão com sintomas respiratórios e para os profissionais que trabalham nos serviços de saúde, para se protegerem daqueles que estão com sintomas respiratórios.

 

É possível ser infectado mais de uma vez?

Isso ainda não está muito claro nos estudos desenvolvidos aqui.

 

O coronavírus tem cura?

A cura depende da própria imunidade da pessoa. Por isso que, normalmente, o coronavírus tem uma virulência maior, que é potencial de ter casos graves, em pessoas com comorbidades, principalmente doenças pulmonares e cardíacas. Também em pessoas com idade avançada, principalmente acima de 60 e 70 anos.

 

Qual é o tempo de incubação do novo coronavírus?

O tempo de incubação do coronavírus normalmente é maior do que o da gripe comum, que é de 24 a 48 horas. O tempo de incubação do coronavírus geralmente é de dois a cinco dias, mas a incubação pode ser de até 12 dias, por isso a quarentena adotada é de 14 dias.

 

O que as empresas podem fazer para ajudar a prevenir a Covid-19?

De maneira geral, as empresas devem diminuir o fluxo de pessoas. Aqueles que puderem, devem trabalhar em casa. Também ter salas mais arejadas, com menos pessoas, promover a higienização constante do local de trabalho com álcool 70%, que é o que faz efeito contra o vírus, e é importante que os trabalhadores higienizem suas mãos com frequência.

 

Porque é tão importante o isolamento social?

Ele é importante para conseguirmos diminuir a velocidade de propagação do vírus, porque quanto mais pessoas aglomeradas, mais o vírus se prolifera e maior a chance dele deixar uma grande quantidade de pessoas doentes. Como este vírus tem uma transmissibilidade muito alta, se não promovermos o isolamento social, uma quantidade muito grande de pessoas vai adoecer ao mesmo tempo. Com isso, o sistema de saúde não terá capacidade para absorver toda esta demanda, pois apesar dos casos que vão para ventilação mecânica ser de 5% e a letalidade ser de 2%, se há uma quantidade grande de pessoas infectadas, num curto período de tempo, muita gente pode ter um quadro grave, que exige UTI, respirador, ventilação mecânica e não haverá recursos para todos estes pacientes.

 

Existe tratamento ou remédio especifico contra o coronavírus?

No momento ainda não. Existem trabalhos sendo feitos, o que ganhou mais atenção na mídia foi a hidroxicloroquina associada a azitromicina, pois os trabalhos mostraram que os medicamentos negativaram o vírus no sangue. Contudo, ainda não há nenhum dado de realidade concreta, ou seja, se diminuiu a inflamação e o estrago que o vírus provocou no organismo da pessoa, se diminui o tempo de internação no hospital e na UTI. Por isso, ainda precisam ser feitos muitos estudos neste sentido.

 

Em quanto tempo devemos ter uma vacina contra o coronavírus?

Uma vacina demora um pouco para chegar ao mercado. Ela pode até ser produzida rápido, mas ela é submetida a estudos clínicos. Os cientistas acreditam que em até um ano possa existir uma vacina disponível à população, contra o novo coronavírus. Isso acontecerá se os estudos caminharem rapidamente, pois a vacina precisa ser testada em diversas pessoas, ter segurança e eficácia, para então chegar ao mercado.

 

Como proceder em caso de suspeita da doença?

– Em caso de febre, dor de garganta e tosse seca: se tiver apenas estes três sintomas e não tiver falta de ar e muito cansaço, não é necessário procurar o hospital. O paciente deve ficar em quarentena, isolado, por 14 dias.

– Em caso de febre, dor de garganta, tosse seca e, aliados à falta de ar e cansaço físico, é necessário procurar um hospital, pois o quadro pode estar evoluindo para mais grave. Neste caso, o paciente precisará ser avaliado, para ver se terá que ficar internado, em uma enfermaria ou em observação em uma UTI

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

fonte: blog.londrina


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