ARTIGO: Tempos difíceis - Ignorância e perversidade estratosféricas por Padre Leomar Antonio Montagna
Muitas pessoas agem com interesses e espalham mentiras e maldades, mas outras as reproduzem sem o mínimo de bom senso, demonstram uma total ausência de conhecimento, produzindo uma cultura de morte, com consequências terríveis, vitimando pessoas e prejudicando aos mais fragilizados da sociedade.

01/08/2020


Em pleno século XXI, nos deparamos, por parte de uma parcela da sociedade, com um grande desprezo pela ciência (obscurantismo), falta de respeito com os semelhantes, violência e perseguição aos que pensam e agem diferente dos que interpretam que deva haver uma única cultura. Vemos ainda consentimento e aplausos ao que há de mais vil na sociedade. Tudo isso nos faz lembrar, que até Jesus, em determinado momento, sentiu esse triste drama, quando exclamou: “Ó geração sem fé e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos terei de suportar?” (MT 17, 17). 
 
Muitas pessoas agem com interesses e espalham mentiras e maldades, mas outras as reproduzem sem o mínimo de bom senso, demonstram uma total ausência de conhecimento, produzindo uma cultura de morte, com consequências terríveis, vitimando pessoas e prejudicando aos mais fragilizados da sociedade. “O meu povo está morrendo por falta de conhecimento” (Os 4, 6).
 
Mas o texto mais forte que combate o tal "mito da imbecilidade", encontramos no Livro do Eclesiástico, neste, o autor procura reavivar a memória e a consciência histórica do seu povo, a fim de que resgatem sua identidade própria e lutem contra o domínio imperialista que tentava impor aos povos dominados uma cultura, costumes e religião totalmente anômala a tradição judaica. Perante nossa realidade social-política-religiosa, parece que esse texto ainda é atual. Vejam (Eclo 22, 7-15):
 
“É INÚTIL ENSINAR O IMBECIL
7 Ensinar o imbecil é como emendar cacos, ou acordar alguém que dorme sono profundo.
8 Falar ao imbecil é como falar a quem está dormindo; no fim ele pergunta: «O que é que foi mesmo?»
9 Chore pelo morto, porque ele perdeu a luz; chore pelo imbecil, porque ele perdeu o bom-senso.
10 É menos triste chorar pelo morto que agora descansa, porque a vida do imbecil é pior que a morte.
11 O luto pelo morto dura sete dias, mas para o imbecil e para o injusto dura a vida inteira.
12 Não gaste palavras com o insensato, e evite andar com o estúpido.
13 Fique longe dele, para não se aborrecer e não se sujar lidando com ele. Afaste-se dele e ficará tranquilo, e a insensatez dele não irritará você.
14 O que é mais pesado que o chumbo? Qual é o seu nome, senão ‘insensato’?
15 Areia, sal e barra de ferro são mais fáceis de carregar do que um insensato”.
 
Penso que o desafio está posto a todos nós religiosos e educadores, esse é o povo que temos, essa é nossa realidade. Como agir diante de tudo isso? Que Deus nos dê sabedoria e um coração para amar, apesar de no momento não sermos reconhecidos e as vezes até banidos. Continuaremos acreditando que um dia o amor e a verdade triunfarão.
 

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